Um renascimento em Nova Iorque: Como The Strokes redefiniram o rock moderno

Ao amanhecer do novo milénio, o panorama musical global era dominado pelo pop brilhante e nu-metal, mas nos clubes rústicos de Nova Iorque fervilhava uma revolução. Liderados por Julian Casablancas, os The Strokes revitalizaram sozinhos o género indie rock com o seu álbum de estreia de 2001, Is This It. Os seus riffs de guitarra nítidos e entrelaçados e a estética descontraída de casacos de couro tornaram-se o modelo para toda uma geração de bandas e provaram que a energia crua e a composição musical concisa ainda podiam conquistar o mundo.

Enquanto muitos dos seus contemporâneos desvaneciam, The Strokes mantiveram a sua posição na vanguarda da cena alternativa, evoluindo consistentemente. Da agressão refinada de Room on Fire à experimentação pesada de sintetizadores em obras posteriores, a banda conseguiu permanecer relevante sem nunca seguir tendências. A sua jornada atingiu um novo auge em 2020 com o lançamento de The New Abnormal, um álbum produzido por Rick Rubin que rendeu à banda o seu primeiro Grammy Award para Melhor Álbum de Rock. Foi um projeto que capturou a banda em total sincronia criativa, hoje celebrado como um dos grandes regressos da música rock moderna.

A influência global dos The Strokes

O efeito cascata da chegada dos The Strokes no início dos anos 2000 não pode ser subestimado. Ao despojar o rock da sua essência melódica e impulsionada pela guitarra, abriram caminho para uma onda de bandas de "post-punk revival" que definiriam a década. Artistas notáveis como os Arctic Monkeys têm sido abertos sobre a sua dívida para com a banda; Alex Turner abriu famosamente uma faixa de 2018 com a linha "I just wanted to be one of The Strokes", enquanto Brandon Flowers dos The Killers admitiu ter descartado as primeiras demos da sua banda depois de ouvir Is This It, percebendo que o padrão de qualidade tinha sido irremediavelmente elevado.

Para além da explosão indie britânica – que incluiu bandas como Franz Ferdinand e The Libertines – a sua influência estendeu-se aos panoramas modernos do pop e psych-rock. Artistas desde Tame Impala até Billie Eilish mencionaram a entrega "cool" e distante da banda e a precisão rítmica como inspirações fundamentais. Mesmo hoje, novas bandas de rock como Fontaines D.C. e Inhaler carregam a tocha do som centrado na guitarra e elegantemente descontraído, que Casablancas e companhia foram pioneiros no East Village décadas atrás.

Um legado duradouro: Reality Awaits em 2026

A partir de 2026, o legado dos The Strokes já não é apenas sobre "salvar o rock and roll" – é sobre o seu estatuto como um dos poucos verdadeiros construtores de pontes entre a história clássica do rock e o mundo alternativo moderno. A sua capacidade de permanecerem ícones culturais, enquanto navegam longas pausas e projetos a solo (como The Voidz ou o trabalho a solo de Albert Hammond Jr.), é prova de uma longevidade rara.

O anúncio do seu sétimo álbum de estúdio, Reality Awaits, chega num momento em que o estatuto cultural da banda está mais alto do que nunca. Com grandes atuações em festivais de 2026 como Coachella, Bonnaroo e Summer Sonic do Japão, a banda prova que o seu som é tão vital para o público atual como o era para os jovens em 2001. Gravado no isolamento tropical da Costa Rica com Rick Rubin, o novo material – incluindo o single "Going Shopping" – sugere uma banda que ainda é curiosa, ainda experimental e ainda unicamente capaz de capturar o espírito da época.